Domingo, Outubro 24, 2010

Prout: economia e política a serviço da espiritualidade



Jiananananda atuou em países como Índia, Indonésia, Tailândia e Filipinas. Trabalha no Brasil desde 1999.
"Prout é muito importante para todos aqueles que almejam uma libertação que comece pelo econômico e se abra para a totalidade da existência humana."  Leonardo Boff, teólogo e escritor
Por AD Luna *
Entre 18 e 26 de setembro, o município de Nazaré Paulista recebeu a sexta edição do Festival da Primavera. Promovido pela Uniluz – Universidade da Luz, o evento contou com a participação ativa da população da cidade e de diversos palestrantes convidados. Dentre estes, o monge Acharya Jiananananda Avadhuta, natural do Congo, adepto do tantra yoga, chamou atenção não só por causa da sua veste alaranjada, da contagiante simpatia e do sotaque, mas também por conta de uma instigante, porém, pouco difundida teoria socioeconômica: o Prout (Progressive Utilization Theory).
O Prout (pronuncia-se “praut”), ou Teoria da Utilização Progressiva em português, foi formulado em 1959, pelo pensador indiano Prabhat Ranjan Sarkar. O sistema propõe uma nova forma de auto-suficiência econômica e política baseada na espiritualidade, opondo-se ao comunismo cerceador de liberdades individuais e ao capitalismo global comandado pelas megacorporações.
Na visão de Jiananananda – o qual, devido à complexidade do seu nome para os padrões ocidentais, nos propõe a chamá-lo de Dada (“irmão”) –, quando os proutistas falam de espiritualidade, referem-se ao sentido pelo qual o termo tem sido empregado modernamente. Ou seja, a capacidade do ser humano de se sentir integrado com ele mesmo, com a Natureza ou, no dizer do Dalai Lama, em seu livro Uma ética para o novo milênio (editora Sextante), “com aquelas qualidades do espírito humano – tais como amor e compaixão, paciência, tolerância, capacidade de perdoar, contentamento, noção de responsabilidade, noção de harmonia – que trazem felicidade tanto para a própria pessoa quanto para os outros”.
Com a derrocada do comunismo autoritário na maior parte do mundo, da amplificação do consumismo, da busca insana por lucros cada vez maiores e da exploração desenfreada dos recursos naturais, a tendência atual de proutistas como Jiananananda é mirar seu olhar crítico para a ganância e a irresponsabilidade do capitalismo global. “Hoje em dia fala-se em desenvolvimento acelerado. Mas, para quem? Para o povo ou para os capitalistas?”, questiona.
A relatividade do conceito de progresso – Na comédia americana O Virgem de Quarenta Anos (2005, Universal Pictures), é transmitda – não muito sutilmente – a ideia de que o personagem principal seria um bobo, por usar bicicleta e não carro como seu meio de transporte. Entretanto, ao olharmos para a situação de cidades sufocadas pelo trânsito (alguém lembrou de São Paulo?), surge a pergunta: “Ao trocarmos nossas bicicletas por carros, progredimos verdadeiramente?” Dada discorda e acrescenta: “Para mim, por levar menos tempo do que de bicicleta, viajar de ônibus da Uniluz até São Paulo é um progresso. No entanto, para as pessoas que moram ao longo da estrada pode não ser, pois o ar que respiram se tornou mais sujo”.

O criador do Prout, Prabhat Ranjan Sarkar
Com esse exemplo, Dada nos alerta sobre o uso indevido do termo progresso. Em sua ótica, estamos vivendo numa espécie de grande ilusão ao pensarmos que as inovações tecnológicas são exatamente sinônimos de progresso, de evolução. Ele acrescenta que é inegável o crescimento da civilização industrializada no campo intelectual, do conhecimento em relação ao mundo material. Porém, no universo das nossas relações interpessoais, psíquicas e com o meio ambiente não progredimos tanto. “Nesse ponto, não me parece que somos tão mais avançados que os índios”, diz.
Na visão do Prout, a antiga crença capitalista de que o grande enriquecimento de seus dirigentes gera, proporcionalmente, mais empregos e bem-estar coletivo é um engodo. Além disso, a exploração irracional dos recursos da natureza, o processo de conversão e submissão às religiões do consumo e do individualismo pela qual os tradicionais meios de comunicação nos têm submetido, seriam grandes causadores da desgraça e da infelicidade de milhões de pessoas na Terra – pobres e ricos.
Vivendo na Matrix - Diante de tal quadro – o qual nos faz pensar que boa parte do povo do planeta vive adormecida sob uma grande Matrix -, quais as alternativas propostas pela Teoria da Utilização Progressiva para um mundo melhor? Entre outras propostas, o Prout defende que o desenvolvimento pessoal num sentido integral, a criação de cooperativas e comunidades são importantes passos para alcançarmos tal objetivo.
O monge cita como exemplos a Uniluz – onde se incentiva a expansão da consciência e uma maior integração com as pessoas e a Natureza -, movimentos ligados à permacultura, bioconstrução e agroecologia.

Em Nazaré Uniluz se incentiva a expansão da consciência e uma maior integração com as pessoas e a Natureza
O crescimento de iniciativas como as citadas acima não é mera utopia ou ingênuo idealismo. Elas são uma realidade ascendente. Segundo a International Cooperative Alliance (ICA – http://www.coop.org/ica/) – que representa 248 organizações de 92 países -, mais de 800 milhões de pessoas no mundo participam de cooperativas. No livro Após o Capitalismo, o autor Dada Maheshvarananda informa que os Estados Unidos, país-símbolo do capitalismo global, abriga quase 50 mil cooperativas, as quais prestam assistência a 37% da população norte-americana, ou seja, 100 milhões de cidadãos. Para mais informações sobre o tema, visite o site da National Cooperative Business Association (http://www.ncba.coop/).
Os Cinco Princípios Fundamentais de Prout – Tais princípios, extraídos da supracitada obra Após o Capitalismo, servem como orientação na distribuição dos recursos e riquezas entre os indivíduos. Advertimos que as explicações de cada item são apenas recortes de um todo. Para maior aprofundamento, sugerimos a consulta do livro citado.
1-     A nenhum indivíduo deve ser permitido acumular riqueza sem a permissão ou a aprovação clara do corpo coletivo: assim como existem salários mínimos, o Prout propõe o estabelecimento de salários máximos, com a possibilidade de serem acrescentados benefícios extra-salariais (bônus por desempenho, participações em ações, cobertura de despesas pessoais).
2-     Distribuição racional de todas as potencialidades mundanas, supramundanas e espirituais do universo: neste caso, uma das críticas vai para grandes propriedades rurais de posse ociosas ou cujo cultivo visa apenas a exportação.
3-     Máxima utilização das potencialidades físicas, metafísicas e espirituais do indivíduo e do corpo coletivo da sociedade: o foco deve ser no bem-estar dos indivíduos e da coletividade e não no individualismo e consumismo excessivos.
4-     Ajuste apropriado para a utilização nos plano físico, metafísico, mundano, supramundano e espiritual: deve-se usar as qualidades individuais das pessoas para adequá-las a tarefas que lhes tragam prazer e que sejam compatíveis com seus talentos e habilidades. Sem desmerecer a profissão de agricultor, o escritor Dada Maheshvarananda critica, por exemplo, o governo comunista chinês, o qual, durante a Revolução Cultural obrigou pessoas com curso superior (médicos, enfermeiras etc.) a trabalharem no campo.
5- O método de utilização deve variar de acordo com as mudanças de tempo, lugar e pessoa, e a utilização deve ser de natureza progressiva
Política + Economia + Espiritualidade - Para algumas pessoas que leram esta reportagem até aqui, a visão do Prout sobre a interdependência entre espiritualidade, política e economia pode causar estranheza ou mesmo rejeição. Muitas acham que tais coisas não deveriam se misturar. Jiananananda critica tal ponto de vista. “É uma artimanha da exploração propagar a ideia de que a política é má. Se as pessoas de boa vontade, inspiradas pelo bem, não se ligam à política, nas mãos de quem ela vai cair? Dos bandidos”, rebate Jiananananda.
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Saiba mais:
Ananda Marga – Yoga, Meditação e Serviço Social
Contatos: (11) 2204-7954 / 9926-3571 – anandamargasaopaulo@gmail.com
Prout em português – http://www.prout.org/por/
International Cooperative Alliance (ICA) – http://www.coop.org/ica/
National Cooperative Business Association – http://www.ncba.coop/
Vídeos indicados:


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* AD Luna é comunicador (músico e jornalista), pesquisador da Consciência humana e residente em Nazaré Uniluz.

Quinta-feira, Outubro 21, 2010

10 Estratégias de Manipulação Midiática



Fonte: Somos Todos Um 

Lista das "10 estratégias de manipulação" através da mídia, supostamente inspirada nas ideias do linguísta americano Noam Chomsky:


1- A ESTRATÉGIA DA DISTRAÇÃO
O elemento primordial do controle social é a estratégia da distração que consiste em desviar a atenção do público dos problemas importantes e das mudanças decididas pelas elites políticas e econômicas, mediante a técnica do dilúvio ou inundações de contínuas distrações e de informações insignificantes. A estratégia da distração é igualmente indispensável para impedir ao público de interessar-se pelos conhecimentos essenciais, na área da ciência, da economia, da psicologia, da neurobiologia e da cibernética. "Manter a atenção do público distraída, longe dos verdadeiros problemas sociais, cativada por temas sem importância real. Manter o público ocupado, ocupado, ocupado, sem nenhum tempo para pensar; de volta à granja como os outros animais" (citação do texto 'Armas silenciosas para guerras tranqüilas').

2- CRIAR PROBLEMAS, DEPOIS OFERECER SOLUÇÕES
Este método também é chamado "problema-reação-solução". Cria-se um problema, uma "situação" prevista para causar certa reação no público, a fim de que este seja o mandante das medidas que se deseja fazer aceitar. Por exemplo: deixar que se desenvolva ou se intensifique a violência urbana, ou organizar atentados sangrentos, a fim de que o público seja o mandante de leis de segurança e políticas em prejuízo da liberdade. Ou também: criar uma crise econômica para fazer aceitar como um mal necessário o retrocesso dos direitos sociais e o desmantelamento dos serviços públicos.

3- A ESTRATÉGIA DA GRADAÇÃO
Para fazer com que se aceite uma medida inaceitável, basta aplicá-la gradativamente, a conta-gotas, por anos consecutivos. É dessa maneira que condições socioeconômicas radicalmente novas (neoliberalismo) foram impostas durante as décadas de 1980 e 1990: Estado mínimo, privatizações, precariedade, flexibilidade, desemprego em massa, salários que já não asseguram ingressos decentes, tantas mudanças que haveriam provocado uma revolução se tivessem sido aplicadas de uma só vez.

4- A ESTRATÉGIA DO DEFERIDO
Outra maneira de se fazer aceitar uma decisão impopular é a de apresentá-la como sendo "dolorosa e necessária", obtendo a aceitação pública, no momento, para uma aplicação futura. É mais fácil aceitar um sacrifício futuro do que um sacrifício imediato. Primeiro, porque o esforço não é empregado imediatamente. Em seguida, porque o público, a massa, tem sempre a tendência a esperar ingenuamente que "tudo irá melhorar amanhã" e que o sacrifício exigido poderá ser evitado. Isto dá mais tempo ao público para acostumar-se com a idéia de mudança e de aceitá-la com resignação quando chegue o momento.

5- DIRIGIR-SE AO PÚBLICO COMO CRIANÇAS DE BAIXA IDADE
A maioria da publicidade dirigida ao grande público utiliza discurso, argumentos, personagens e entonação particularmente infantis, muitas vezes próximos à debilidade, como se o espectador fosse um menino de baixa idade ou um deficiente mental. Quanto mais se intente buscar enganar ao espectador, mais se tende a adotar um tom infantilizante. Por quê? Se você se dirige a uma pessoa como se ela tivesse a idade de 12 anos ou menos, então, em razão da sugestionabilidade, ela tenderá, com certa probabilidade, a uma resposta ou reação também desprovida de um sentido crítico como a de uma pessoa de 12 anos ou menos de idade.

6- UTILIZAR O ASPECTO EMOCIONAL MUITO MAIS DO QUE A REFLEXÃO
Fazer uso do aspecto emocional é uma técnica clássica para causar um curto circuito na análise racional, e por fim ao sentido critico dos indivíduos. Além do mais, a utilização do registro emocional permite abrir a porta de acesso ao inconsciente para implantar ou enxertar idéias, desejos, medos e temores, compulsões, ou induzir comportamentos...

7- MANTER O PÚBLICO NA IGNORÂNCIA E NA MEDIOCRIDADE
Fazer com que o público seja incapaz de compreender as tecnologias e os métodos utilizados para seu controle e sua escravidão. A qualidade da educação dada às classes sociais inferiores deve ser a mais pobre e medíocre possível, de forma que a distância da ignorância que paira entre as classes inferiores às classes sociais superiores seja e permaneça impossíveis para o alcance das classes inferiores.

8- ESTIMULAR O PÚBLICO A SER COMPLACENTE NA MEDIOCRIDADE
Promover ao público a achar que é moda o fato de ser estúpido, vulgar e inculto...

9- REFORÇAR A REVOLTA PELA AUTOCULPABILIDADE
Fazer o indivíduo acreditar que é somente ele o culpado pela sua própria desgraça, por causa da insuficiência de sua inteligência, de suas capacidades, ou de seus esforços. Assim, ao invés de rebelar-se contra o sistema econômico, o individuo se auto-desvalida e culpa-se, o que gera um estado depressivo do qual um dos seus efeitos é a inibição da sua ação. E, sem ação, não há revolução!

10- CONHECER MELHOR OS INDIVÍDUOS DO QUE ELES MESMOS SE CONHECEM
No transcorrer dos últimos 50 anos, os avanços acelerados da ciência têm gerado crescente brecha entre os conhecimentos do público e aquelas possuídas e utilizadas pelas elites dominantes. Graças à biologia, à neurobiologia e à psicologia aplicada, o "sistema" tem desfrutado de um conhecimento avançado do ser humano, tanto de forma física como psicologicamente. O sistema tem conseguido conhecer melhor o indivíduo comum do que ele mesmo conhece a si mesmo. Isto significa que, na maioria dos casos, o sistema exerce um controle maior e um grande poder sobre os indivíduos do que os indivíduos a si mesmos. 

O homem a-cultural



Extraído do livro "Jornalismo Interpretativo", de Luiz Beltrão

O homem cultural não está preso à realidade, ao interesse imediato, limitado e até mesmo irracional, como o homem a-cultural. Este é “possuidor apenas de Inteligência prática que lhe dá tão somente uma visão cinematográfica da realidade, incapaz de afastar-se do mundo para olhar o mundo e desprender-se de si mesmo para refletir sobre seu significado e valor. Subtrai-se de certas tiranias da ordem natural, mas age mecânica, instintiva e habitualmente.

Não possui o espírito intencional, a atividade especulativa, e o elemento volitivo necessário para construir o universo simbólico, que caracterizam a cultura... possui uma diversidade de comportamento mas não possui a capacidade de assumir atitude, o que importa uma interpretação e uma visão analítica da realidade... vê o mundo, mas é incapaz de compreendê-lo... age, mas sem espírito organizador, sem vivências espirituais, sem intenção cultural. Age apenas para satisfazer suas necessidades à semelhança dos seres irracionais.”

Quarta-feira, Outubro 06, 2010

“Nazaré Uniluz é um dos pilares energéticos do mundo”

Em visita a Nazaré Uniluz, o arquiteto Carlos Solano fala sobre o processo de criação e construção das casas do campus
por AD Luna
Autor do projeto de construção da maior parte das casas de Nazaré Uniluz, o arquiteto Carlos Solano esteve em nosso campus no mês de julho para rever e fotografar este seu primeiro e auspicioso trabalho. A obra será publicada em livro que marcará os trinta anos de sua formação acadêmica. Além de abordar temas da ecologia convencional, o lançamento tratará do que ele chama deecologia humana – conceito igualmente proposto pela Uniluz.
Ecologia humana é uma forma de viver leve sobre a Terra. Essa leveza não é agressiva, ela compartilha, ela troca. Inclui o sutil e a beleza, não se apega ao denso. É expressão de uma consciência mais ampla, de dimensões e qualidades superiores, mais nobres,”, define Solano.
Carlos Solano tem 55 anos, mas dificilmente alguém lhe daria mais que 45. Ao ser apresentado a funcionários e alguns dos atuais residentes do campus, a aparência jovial do mineiro de criação causou espanto. Ele acredita que o segredo está na prática de exercícios corporais, como natação, yoga, tai chi chuan e na alimentação vegetariana“Parei naturalmente de comer carne aos 12 anos. Minha mãe ficou desesperada”, lembra com humor.
Encontro com Trigueirinho – Nascido em Bela Vista (MS), Carlos Solano mudou-se com a família para Belo Horizonte quando tinha apenas seis meses de idade. Pouco antes de se formar em arquitetura pela Universidade Federal de Minas Gerais, em 1979, ele não se sentia completo na profissão. As coisas começaram a mudar quando iniciou a prática do yoga junto com seu irmão Artur e outras pessoas, em Belo Horizonte.  A partir daí, várias portas se abriram – o futuro arquiteto passou a ter acesso à literatura espiritualista e foi nesse período que conheceu Trigueirinho. “Ele costumava dar cursos e palestras para nosso núcleo, que era formado basicamente por jovens. Além do trabalho grupal, Trigueirinho desenvolvia um acompanhamento individual e foi aí que me aproximei mais dele”, relembra.
Segundo Solano, tanto o contato com Neide Innecco – sua instrutora de yoga – quanto a aproximação com Trigueirinho foram extremamente significativos. “Recebi uma série de respostas e passei a ver um caminho da vida com mais sentido”.
Estimulados por essa nova perspectiva, Carlos Solano e o restante do grupo começaram a dar suporte aos cursos de Trigueirinho.  Numa certa altura, Trigueirinho convida pessoas do grupo a participar de uma espécie de aprofundamento, mini-retiro. A ideia principal era que essas pessoas pudessem estudar juntas durante a tarde e pernoitar numa casa. Entretanto, antes da concretização do projeto, Trigueirinho recebe carta de duas irmãs de São Paulo, amigas dele, ofertando um terreno na região rural do município de Nazaré Paulista, localizado a 68 km da capital do estado.
Por ter tido experiências comunitárias anteriores, especialmente na Findhorn Foundation (http://www.findhorn.org/), na Escócia, Trigueirinho entendeu naquele momento que a aventura poderia ser maior e mais profunda. A moradia conjunta seria integral e não mais em Minas Gerais.
Meditação e atenção plena como centro de tudo - Ao visitarem o terreno – totalmente tomado pela mata -, Trigueirinho propôs ao então recém-formado arquiteto, à época com 24 anos, o desenvolvimento do projeto. Convite aceito, eles formulam o projeto inicial, que incluiria um centro comunitário, os alojamentos e a sala de meditação – centro geográfico, conceitual e espiritual do local. “Todas as coisas deveriam girar em torno da meditação, da atitude meditativa. Não adiantava capinar a terra, fazer qualquer outro tipo de trabalho se ele não fosse um instrumento de exercício da atenção plena”, reforça.
Mão na Massa Meditativa – A construção da atual Nazaré Uniluz foi baseada na simplicidade, no serviço altruísta, no respeito à natureza.  A escolha de materiais de construção como tijolos de barro e madeira tinham como propósito transmitir essa simplicidade essencial.  Em relação à construção das casas, atividade da qual Solano não participou diretamente, toda a obra foi realizada com a participação do grupo de 12 pessoas que ficaram alojadas na propriedade onde hoje está a horta. “Isso foi muito importante porque as casas foram construídas em função do exercício da meditação. Cada tijolo era colocado com atenção plena”.

Fachada lateral do Centro Comunitário. Foto: Léo Lopes
De acordo com o arquiteto, a primeira casa a ser construída à época foi o Centro Comunitário; seguida da Casa 1, antes chamada de Casa de hóspedes; a casa dos residentes, hoje nomeada como Casa 3, foi a terceira; por fim, veio a sala de meditação.
Em três anos e meio, os prédios da parte de cima estavam praticamente prontos e começaram a receber novos residentes e visitantes. Solano conta que a maior parte deles era formada por pessoas de meia idade e do sexo feminino, que focavam sua atenção na busca do chamado Eu Superior. “Essa busca foi muito reforçada pela vinda da Sara (Marriott). Ela ouvia a voz do Eu Superior como a gente ouve a voz de outra pessoa”.
Além da cozinha, refeitório e dispensa, no centro comunitário aconteciam palestras e cursos, mais especificamente onde hoje se encontra a sala Moitará. O projeto original dos alojamentos previa a construção de pequenas casas independentes, as quais foram substituídas pelas atuais, maiores e com quartos individuais conjugados.

Sara Marriott
Convivência com Sara Marriott – Antes da vinda de Sara Marriott para Nazaré, Carlos Solano chegou a conviver com a simpática e carismática senhora em Findhorn, no ano de 1984. Durante parte dos seus oito meses de residência por lá, hospedou-se na casa da autora dos livros “Uma Jornada Interior” e “Uma Jornada Interdimencional” (Editora Pensamento). “Ela morava num trailler, com dois quartos, um grande e um pequeno, destinado a hóspedes. Ela me cedeu o primeiro, aquele no qual relata as experiências contidas no livro (“Uma Jornada Interior”). Foi uma grande experiência, muito inspiradora e marcante”, diz.
Solano confirma que na construção da sala de meditação de Nazaré Uniluz foram utilizados solos de vários locais do mundo visitados por Sara Marriott. “Também foi ela quem colocou o primeiro tijolo na cerimônia de inauguração da sala”.

Visão interna do Centro Comunitário. Foto: Léo Lopes
Retorno a Nazaré, após 10 anos – Hoje, nessa sua primeira visita a Nazaré Uniluz depois de uma década, Solano diz sentir as mesmas boas vibrações do passado, mesmo com todas as mudanças ocorridas nos últimos anos. “Nazaré é um dos pilares energéticos do mundo. O lugar foi muito bem construído energeticamente e essa característica está sendo mantida”.
Citando o Feng Shui, Solano explica que é possível avaliar a qualidade vibratória de determinados lugares por meio da observação da saúde das plantas. Se estas estiverem doentes, o ambiente não pode estar saudável. “Em Nazaré Uniluz, a vegetação está bonita, viçosa. E, de acordo com a sabedoria popular, outro ramo de meus estudos, se os pássaros do lugar cantam, é sinal de que há anjos bons nesse ambiente”.

O sonho que ajudou Sara Marriott a vir ao Brasil


Sara Marriott, autora do livro "Uma viagem interior"
por Rogério Luna
Durante sua estada na casa da Sara Marriott, em Findhorn, Escócia, Carlos Solano, arquiteto responsável pela maior parte do projeto de construção das casas de Nazaré Uniluz, fala sobre um sonho que a fez apagar qualquer tipo de hesitação em relação a sua vinda ao Brasil.
“Nunca me esqueci deste sonho porque, muitas vezes na vida, a gente vive essa situação de fazer travessias e não tem muita visão de como isso pode acontecer. Mas acho que nesse sonho há a chave, que é a de fazer a conexão, de pedir ajuda e seguir em frente. Muitas vezes a resposta não aparece de uma vez, não visualizamos o caminho todo. Mas, nesses casos, o importante é se movimentar, dar o primeiro passo”.
O sonho de Sara Marriott, segundo Solano: “Ela estava no alto de um penhasco e sabia que precisava chegar no alto de uma montanha ainda maior. Mas, entre os dois havia um abismo. Diante disso, ela parou e ficou sem saber como chegar ao outro lado. Durante algum tempo, Sara ficou em dúvida sobre o que fazer. Pediu ajuda ao seu Eu Superior. Nesse momento, ela viu uma escadaria que unia os dois cumes. Mas na hora que em ela se encaminhou em direção às escadas, estas sumiram. Ela parou na beira do penhasco sem saber se prosseguia ou não. Hesitou. Porém, voltou a pedir ajuda ao Eu Superior e decidiu seguir, mesmo sem ver a escada. Quando deu o primeiro passo, o degrau apareceu e assim se sucedeu com todos os outros, à medida que caminhava. Assim, ela conseguiu fazer a travessia”.