Neste trecho de entrevista extraído da revista One Earth, publicada pela fundação Findhorn, no inverno de 1994, Ulla Sebastian fala sobre os caminhos do autoconhecimento e da devoção.Ulla Sebastian (foto) foi professora de psicologia clínica e psicopatologia, é escritora, professora, psicoterapeuta e treinadora de análise bioenergética, passou seis meses no ashram de Sai Baba, na Índia, em 1986. Baseada nessa experiência pessoal com o mestre indiano, sobre a qual escreve no livro Goldmann Taschenbuch (1992) discute aqui alguns dos aspectos psicológicos do caminho devocional e o que percebe da sua relevância hoje, no pessoal e no metafísico bem como no contexto comunitário.
Entrevistadora: Betsy van der Lee
Edição: Luna, Rogério Luna *
Tradução: Adélia Ramos **
Edição: Luna, Rogério Luna *
Tradução: Adélia Ramos **
Você pode falar sobre o caminho de um discípulo e sobre a psicologia envolvida?.
Nas tradições orientais, há basicamente dois caminhos a serem seguidos para nos liberarmos. Há o caminho do autoconhecimento, da autopesquisa, usando nossa própria força, ou há o caminho da devoção, da entrega a uma força que está separada de nós – a um guru, a um deus ou ao Universo.
O caminho do autoconhecimento usando nossa própria força inclui práticas tais como a meditação vipassana, zen ou o
jñaña yoga. Nessas tradições, desenvolvemos uma “testemunha” interior que observa, nota e se torna consciente do nosso processo interno – nossos pensamentos e sentimentos – sem julgar ou tentar manipulá-los, simplesmente refletindo-os como um espelho. À medida que viajamos nessa estrada, gradualmente expandimos e por fim transcendemos o ego, o pequeno self: como crianças, começamos a nos identificar com nosso corpo e então, à medida que amadurecemos e passamos a outro nível, aprendemos a não nos identificar com o corpo e identificamo-nos com as emoções; então, percebemos que não somos nossas emoções e começamos a nos identificar com a mente – podemos pensar e desenvolver conceitos e até teorias; ao continuar a nos perguntar “quem sou eu?”, percebemos que somos mais que a mente, que somos uma alma e, finalmente, que somos espírito ou Atman, o Absoluto ou a Consciência Cósmica.
jñaña yoga. Nessas tradições, desenvolvemos uma “testemunha” interior que observa, nota e se torna consciente do nosso processo interno – nossos pensamentos e sentimentos – sem julgar ou tentar manipulá-los, simplesmente refletindo-os como um espelho. À medida que viajamos nessa estrada, gradualmente expandimos e por fim transcendemos o ego, o pequeno self: como crianças, começamos a nos identificar com nosso corpo e então, à medida que amadurecemos e passamos a outro nível, aprendemos a não nos identificar com o corpo e identificamo-nos com as emoções; então, percebemos que não somos nossas emoções e começamos a nos identificar com a mente – podemos pensar e desenvolver conceitos e até teorias; ao continuar a nos perguntar “quem sou eu?”, percebemos que somos mais que a mente, que somos uma alma e, finalmente, que somos espírito ou Atman, o Absoluto ou a Consciência Cósmica.Assim, gradualmente construímos e desenvolvemos nossa consciência e a capacidade em cada nível e, à medida que o ego expande, ele se transcende tornando-se um com o Todo. Minha impressão é que este caminho do autoconhecimento é o mais atraente para quem é mental.
Por outro lado, aqueles cuja visão da vida se dá por meio do sentimento, acharão mais fácil seguir o caminho da devoção:ligar-se a alguém, render-se à força de um mestre, guru ou avatar que ou quem os leva à frente. É um trabalho diferente, no qual projetamos nossos processos interiores, nossa identidade, nossas necessidades no guru – como, por exemplo, querer ser cuidados, aconselhados ou ter alguém que nos diga o que é certo ou errado. De fato, este “outro” torna-se para nós uma figura do pai/mãe. Se o guru é puro, ele/ela vai refletir nossas necessidades nos ajudando a ver e a destruir as ilusões do ego e, desse modo, ajudam-nos a expandir e ir além do pequeno ego. Esta é a outra maneira de render-se ao Absoluto ou Consciência Cósmica porque nosso guru é uma encarnação do Espírito Absoluto. Os caminhos são diversos, mas o objetivo é o mesmo.
* Luna, Rogério Luna é comunicador (músico e jornalista) e residente em Nazaré Uniluz
** Adélia Ramos é residente em Nazaré Uniluz
