Segunda-feira, Abril 18, 2011

Música conecta gerações no último dia do Abril pro Rock

por AD Luna

Uma das coisas mais maravilhosas e ricas da música é sua capacidade de conectar pessoas, culturas, gerações. Exemplo disso aconteceu na noite de encerramento da 19o edição do festival Abril pro Rock, neste domingo (17/04), no Recife. Com quase cinquenta anos de existência - mas com uma formação bastante diferente da original -, o lendário Skatalites levou ao delírio cerca de cinco mil pessoas que compareceram ao Chevrolet Hall. Devido à festejada e explosiva apresentação anterior - da banda olindense Eddie -, pairou no ar a impressão de que o show dos mestres do ska ficaria deslocado como atração principal.

Mas, lá pela terceira música tal sensação foi totalmente dissipada. Sob um poderoso som de metais, ancorado por uma sólida base de guitarra, baixo e bateria, os jamaicanos conseguiram se sintonizar com a vibrante energia e alegria do jovem e colorido público que encheu o salão para vê-los. Aliás, para quem torce para a ampliação e fortalecimento do cenário musical recifense ver uma moçada com idades próximas a do nascimento do próprio Abril pro Rock é bastante animador.

Voltando ao show... Por focar boa parte do seu repertório em temas instrumentais, a música do Skatalites é do tipo "ouça, dance e aprecie", tal é a qualidade da execução e do balanço. As partes cantadas foram comandadas pela carismática senhora Doreen Shaffer. A bola fora da apresentação foi a banda não ter atendido ao insistente pedido do público para que voltassem ao palco, depois do final do show. Sobraram até vaias. Mas, nada que tenha abalado a boa impressão deixada anteriormente.

Nos outros shows da noite, a curadoria do festival enfatizou a presença de novos nomes da música brasileira. Gente como a cantora Tulipa Ruiz e a banda Holger, de São Paulo; os pernambucanos Mamelungos e Feiticeiro Julião, além da baiana radicada em Pernambuco Karina Burh. Essa prática de dar vez a grupos iniciantes era bastante comum nas primeiras edições do evento. Naquele longíquo tempo, os pobres e dependentes artistas novos ficavam ansiosos por terem seus trabalhos vistos e ouvidos por "olheiros" de gravadoras, principalmente das multinacionais. Hoje, quase ninguém dá a mínima para tais seres. Se é que eles existem ainda.

Falando em Karina Burh, esta vive uma ótima fase na carreira solo com constantes elogios da crítica e boa agenda de shows. Garota esperta, ela tem ciência da importância de se montar um grupo de músicos capazes de interpretar com maestria suas ideias musicais. Entre outras feras, sua banda conta com o ex-guitarrista do Ira!, Edgar Scandurra.

O já citado Eddie, apesar de seus mais de vinte anos de criação, consegue se manter conectado às novas gerações. Além do público interagindo em todos as músicas, o show deles também contou com a participação de Erasto Vasconcelos (irmão do percussionista Naná), e os ex-integrantes da banda Karina Burh e Rogerman. É a chamada "brodagem" pernambucana em ação!

Focado na estética jovem guarda de Iê Iê Iê, álbum produzido por Fernando Catatau e lançado em 2009, Arnaldo Antunes pôs o público pra dançar animadamente. Também era possível ver e ouvir a moçada cantando várias letras do referido CD. O cantor caruaruense Ortinho fez breve participação no show do ex-Titã. Antunes é outro artista que tem conseguido fazer a ponte entre gerações. Além da incursão pelo antigo rock sessentista nacional, isso se evidencia na presença do outrora citado Edgar Scandurra e dos talentosos instrumentistas e compositores Curumin, na bateria, e Marcelo Jeneci, nos teclados.

A vida vivida e compartilhada por gente de várias gerações é muito mais interessante e rica!

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