por AD Luna
Uma das coisas mais maravilhosas e ricas da música é sua capacidade de conectar pessoas, culturas, gerações. Exemplo disso aconteceu na noite de encerramento da 19o edição do festival Abril pro Rock, neste domingo (17/04), no Recife. Com quase cinquenta anos de existência - mas com uma formação bastante diferente da original -, o lendário Skatalites levou ao delírio cerca de cinco mil pessoas que compareceram ao Chevrolet Hall. Devido à festejada e explosiva apresentação anterior - da banda olindense Eddie -, pairou no ar a impressão de que o show dos mestres do ska ficaria deslocado como atração principal.
Mas, lá pela terceira música tal sensação foi totalmente dissipada. Sob um poderoso som de metais, ancorado por uma sólida base de guitarra, baixo e bateria, os jamaicanos conseguiram se sintonizar com a vibrante energia e alegria do jovem e colorido público que encheu o salão para vê-los. Aliás, para quem torce para a ampliação e fortalecimento do cenário musical recifense ver uma moçada com idades próximas a do nascimento do próprio Abril pro Rock é bastante animador.
Voltando ao show... Por focar boa parte do seu repertório em temas instrumentais, a música do Skatalites é do tipo "ouça, dance e aprecie", tal é a qualidade da execução e do balanço. As partes cantadas foram comandadas pela carismática senhora Doreen Shaffer. A bola fora da apresentação foi a banda não ter atendido ao insistente pedido do público para que voltassem ao palco, depois do final do show. Sobraram até vaias. Mas, nada que tenha abalado a boa impressão deixada anteriormente.
Nos outros shows da noite, a curadoria do festival enfatizou a presença de novos nomes da música brasileira. Gente como a cantora Tulipa Ruiz e a banda Holger, de São Paulo; os pernambucanos Mamelungos e Feiticeiro Julião, além da baiana radicada em Pernambuco Karina Burh. Essa prática de dar vez a grupos iniciantes era bastante comum nas primeiras edições do evento. Naquele longíquo tempo, os pobres e dependentes artistas novos ficavam ansiosos por terem seus trabalhos vistos e ouvidos por "olheiros" de gravadoras, principalmente das multinacionais. Hoje, quase ninguém dá a mínima para tais seres. Se é que eles existem ainda.
Falando em Karina Burh, esta vive uma ótima fase na carreira solo com constantes elogios da crítica e boa agenda de shows. Garota esperta, ela tem ciência da importância de se montar um grupo de músicos capazes de interpretar com maestria suas ideias musicais. Entre outras feras, sua banda conta com o ex-guitarrista do Ira!, Edgar Scandurra.
O já citado Eddie, apesar de seus mais de vinte anos de criação, consegue se manter conectado às novas gerações. Além do público interagindo em todos as músicas, o show deles também contou com a participação de Erasto Vasconcelos (irmão do percussionista Naná), e os ex-integrantes da banda Karina Burh e Rogerman. É a chamada "brodagem" pernambucana em ação!
Focado na estética jovem guarda de Iê Iê Iê, álbum produzido por Fernando Catatau e lançado em 2009, Arnaldo Antunes pôs o público pra dançar animadamente. Também era possível ver e ouvir a moçada cantando várias letras do referido CD. O cantor caruaruense Ortinho fez breve participação no show do ex-Titã. Antunes é outro artista que tem conseguido fazer a ponte entre gerações. Além da incursão pelo antigo rock sessentista nacional, isso se evidencia na presença do outrora citado Edgar Scandurra e dos talentosos instrumentistas e compositores Curumin, na bateria, e Marcelo Jeneci, nos teclados.
A vida vivida e compartilhada por gente de várias gerações é muito mais interessante e rica!
Segunda-feira, Abril 18, 2011
Domingo, Abril 17, 2011
Abril pro Rock: punk, crossover e metal na noite dos sons pesados
por AD Luna
Apesar de momentos de cansaço, grande parte do ótimo público que compareceu à primeira noite do Abril pro Rock, que aconteceu nesta sexta (15/04), no Recife, curtiu até o fim a já tradicional noite dos sons pesados do festival. O evento contou com atrações nacionais e internacionais de estilos como punk, crossover, thrash e death metal.
Abrindo a noite, as bandas pernambucanas Cangaço e Desalma, e a cearense Facada iniciaram as rodas de pogo e o balançar de cabeças no salão do Chevrolet Hall - local semelhante às casas paulistanas Credicard Hall e Via Funchal, porém com acústica inferior a estas. Depois dos nordestinos, o anúncio do grupo brasiliense Violator provocou gritos de saudação e corridas para a frente do palco. Formado por jovens músicos, o quarteto mostrou grande entusiasmo provocado tanto pela alegria em estar de volta ao Recife, depois de quatro anos - como afirmou o comunicativo vocalista Poney Ret -, quanto pela recepção calorosa do público. Apesar de o som não ter contribuído (a caixa da bateria, estava baixa, por exemplo), os rapazes mandarem bem com seu som calcado no thrash metal mais agressivo e oitentista de artistas como o alemão Kreator e os americanos Overkill e Nuclear Assault.
Ao iniciar sua apresentação, os paulistas do Torture Squad trouxeram consigo uma sensível melhora na qualidade do som enviado para o público: tudo ficou mais alto e claro. Podia-se ouvir melhor o grande trabalho de bumbos duplos e a criatividade de Amílcar Christófaro, baterista e professor deste instrumento, e os urros musicados do vocalista Vitor Rodrigues. Curioso ver como Rodrigues interpreta gestual e facilmente as agressivas, porém reflexivas, letras do Torture.
A "destruição" provocada pelo Torture Squad parece ter deixado o público um tanto quanto cansado para receber o Musica Diablo, de São Paulo. Tendo à frente o também vocalista do Sepultura, Derrick Green, a banda fez uma competente apresentação, porém pegou o público cansado, talvez guardando forças para a atração seguinte.
Os americanos do Dirty, Rotten Imbeciles (D.R.I) acordou o povo que estava deitado e disperso pelos cantos do Chevrolet Hall. Com sua mistura de metal com hardcore - o chamado crossover -, os veteranos provocaram grande pandemônio em frente ao palco, com camisas pretas "dançando" o pogo, corpos sendo levantados ao ar. Depois do Recife, o D.R.I tocaria ainda em Belo Horizonte e São Paulo.
O Misfits encerrou a noite com um show empolgante. Comandado pelo único membro original, o baixista e vocalista Jerry Only, o trio quase não deixou espaço para o público respirar, tocando uma música atrás da outra, sem grandes pausas. O visual estilo filme de terror B dos americanos foi imitado por pessoas da plateia. Mesmo com suas mais de trinta décadas, o punk horror do Misfits mostrou estar sintonizado com a garotada dos anos 2000.
Apesar de momentos de cansaço, grande parte do ótimo público que compareceu à primeira noite do Abril pro Rock, que aconteceu nesta sexta (15/04), no Recife, curtiu até o fim a já tradicional noite dos sons pesados do festival. O evento contou com atrações nacionais e internacionais de estilos como punk, crossover, thrash e death metal.
Abrindo a noite, as bandas pernambucanas Cangaço e Desalma, e a cearense Facada iniciaram as rodas de pogo e o balançar de cabeças no salão do Chevrolet Hall - local semelhante às casas paulistanas Credicard Hall e Via Funchal, porém com acústica inferior a estas. Depois dos nordestinos, o anúncio do grupo brasiliense Violator provocou gritos de saudação e corridas para a frente do palco. Formado por jovens músicos, o quarteto mostrou grande entusiasmo provocado tanto pela alegria em estar de volta ao Recife, depois de quatro anos - como afirmou o comunicativo vocalista Poney Ret -, quanto pela recepção calorosa do público. Apesar de o som não ter contribuído (a caixa da bateria, estava baixa, por exemplo), os rapazes mandarem bem com seu som calcado no thrash metal mais agressivo e oitentista de artistas como o alemão Kreator e os americanos Overkill e Nuclear Assault.
Ao iniciar sua apresentação, os paulistas do Torture Squad trouxeram consigo uma sensível melhora na qualidade do som enviado para o público: tudo ficou mais alto e claro. Podia-se ouvir melhor o grande trabalho de bumbos duplos e a criatividade de Amílcar Christófaro, baterista e professor deste instrumento, e os urros musicados do vocalista Vitor Rodrigues. Curioso ver como Rodrigues interpreta gestual e facilmente as agressivas, porém reflexivas, letras do Torture.
A "destruição" provocada pelo Torture Squad parece ter deixado o público um tanto quanto cansado para receber o Musica Diablo, de São Paulo. Tendo à frente o também vocalista do Sepultura, Derrick Green, a banda fez uma competente apresentação, porém pegou o público cansado, talvez guardando forças para a atração seguinte.
Os americanos do Dirty, Rotten Imbeciles (D.R.I) acordou o povo que estava deitado e disperso pelos cantos do Chevrolet Hall. Com sua mistura de metal com hardcore - o chamado crossover -, os veteranos provocaram grande pandemônio em frente ao palco, com camisas pretas "dançando" o pogo, corpos sendo levantados ao ar. Depois do Recife, o D.R.I tocaria ainda em Belo Horizonte e São Paulo.
O Misfits encerrou a noite com um show empolgante. Comandado pelo único membro original, o baixista e vocalista Jerry Only, o trio quase não deixou espaço para o público respirar, tocando uma música atrás da outra, sem grandes pausas. O visual estilo filme de terror B dos americanos foi imitado por pessoas da plateia. Mesmo com suas mais de trinta décadas, o punk horror do Misfits mostrou estar sintonizado com a garotada dos anos 2000.
Sábado, Abril 09, 2011
Iron Maiden manda bem pela segunda vez no Recife
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| foto: Dudu Schnaider |
por AD Luna
Em 2009, os fãs recifenses e nordestinos do Iron Maiden foram agraciados, pela primeira vez, com um show desse que é um dos grupos mais emblemáticos e amados do heavy metal. Por conta da elogiada infra-estrutura e do ótimo público que acolheu os ingleses (cerca de 18 mil pessoas), Recife foi novamente incluída na rota de uma turnê da banda. Dessa vez, 14 mil fãs compareceram, neste domingo (3/4), ao palco montado no estacionamento do Centro de Convenções do Recife para assistir a mais um grande concerto do sexteto liderado pelo baixista Steve Harris.
Antes do Maiden, os headbangers do Recife, de diversas cidades do interior de Pernambuco e de outras capitais do Nordeste puderam assistir à competente performance do Terra Prima, talentosa banda local que segue a linha do metal melódico. Os rapazes foram muito bem recebidos pelo público e encerraram a apresentação com o cover “Enter Sadman”, do Metallica.
Pouco antes das 20h, os alto-falantes reproduziam a música “Doctor Doctor”, do UFO, indicando que a principal celebração da noite estava prestes a começar. Gritos eufóricos entrecortavam a introdução gravada de “Satellite 15… The Final Frontier”, do álbum que dá nome à The Final Frontier World Tour. Ao ver os músicos no palco, a euforia do público cresce e explode quando eles efetivamente começam a tocar. O refrão é gritado com força pela plateia, que manteve o entusiasmo durante praticamente toda a apresentação dos britânicos.
Questionado em redes sociais da internet por alguns fãs, o repertório montado para esta turnê funcionou redondo no Recife. Claro que hits com mais de vinte décadas de criação como “Two minutes to midnight”, “The Trooper”, “The number of the beast”, “Fear of the dark”, “Running Free” e “The evil that men do” são os mais celebrados. Porém, sons como “The Wicker man” e “Blood of Brothers” (2000); “Coming Home”, “El Dorado” e “When the Wild Wind Blows” (2010) foram acompanhadas com grande atenção e empolgação pelo povo.
Questionado em entrevista concedida ao programa global Fantástico, há dois anos, sobre o porquê do estável sucesso do Iron em todo esse tempo, Steve Harris atribuiu isso, em parte, à preocupação com as construções melódicas das músicas. De fato, não só os refrões, como também diversos riffs e duetos de guitarra eram solfejados pelos maidenmaníacos durante o espetáculo em Recife.
O piloto de avião, esgrimista, radialista, historiador e cantor Bruce Dickinson impressiona sempre pela competência vocal, pelo carisma e comunicação com o público. Suas falas entre as músicas são ouvidas com muita atenção pelo público. Em uma delas, antes de anunciar a já citada “Blood of brothers”, Bruce lamenta a catástrofe ocorrida recentemente no Japão. O público aplaude e se empolga quando ele aponta a universalidade dos fãs do Iron Maiden – gente de várias religiões, raças e etnias.
Na última música da noite, “Running Free”, Dickinson apresenta os outros festejados integrantes da banda – Janick Gers, Adrian Smith e Dave Murray, nas guitarras, e o super bem-humorado baterista Nicko McBrain.
Já está mais do que provado que Recife tem público e estrutura para receber outros grandes nomes do metal. Que venham Metallica, Ozzy Osbourne, Slayer…
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